Afinações alternativas de violão

As que realmente se usam, o que muda em cada uma e como chegar lá sem arrebentar uma corda no caminho.

Tabela rápida

Da sexta (a mais grossa) à primeira:

Afinação6ª5ª4ª3ª2ª1ª
PadrãoEADGBE
Drop DDADGBE
Double drop DDADGBD
DADGADDADGAD
Open GDGDGBD
Open DDADF♯AD
Open CCGCGCE
Meio tom abaixoE♭A♭D♭G♭B♭E♭
Um tom abaixo (D padrão)DGCFAD

Para que serve cada uma

Drop D — a porta de entrada

Só abaixa a sexta corda um tom. Em troca, as três graves soltas formam uma quinta com a sua oitava, então uma quinta se toca com um dedo e dá para movê-la pelo braço inteiro. É por isso que metade do rock e todo o metal a usam. Tudo o que você sabia na afinação padrão continua valendo nas outras cinco cordas.

DADGAD — a celta, e muito mais

Solta, soa um Ré sus4: nem maior nem menor, então serve igualmente para os dois modos e deixa as notas soando umas contra as outras. Nasceu na música modal celta e foi parar no folk, no rock acústico e nas trilhas sonoras. É a mais rica desta lista e a que mais muda o seu jeito de tocar.

Open G e open D — o slide e o blues

As cordas soltas já formam um acorde maior completo. Com uma pestana de um dedo (ou um slide) você tem todos os acordes maiores do braço, que é exatamente o que o blues de gargalo precisa. Open G é a dos Rolling Stones — Keith Richards ainda tira a sexta corda e toca com cinco —; open D é a de boa parte do blues do Delta.

Abaixar meio tom ou um tom inteiro

As relações entre as cordas não mudam: tudo o que você sabe continua funcionando igual, só que soa mais grave. Isso é feito por dois motivos: porque a voz alcança melhor as notas, e porque com menos tensão a corda fica mais fácil de puxar. É o que fazem Hendrix, Guns N' Roses ou Stevie Ray Vaughan (que ainda usava cordas grossas para recuperar a tensão perdida).

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Como mudar de afinação sem arrebentar nada

Abaixar é fácil; subir, com cuidado

Abaixar uma corda não tem risco. Subir tem, e são a primeira e a segunda que arrebentam. Olhe a tabela antes de começar: em drop D, DADGAD, open G e open D tudo é para baixo — por isso são as mais tranquilas de experimentar —, enquanto open C sobe a segunda corda de Si para Dó. Regra prática: se uma afinação pede para subir uma corda, faça isso devagar e em duas ou três passadas, deixando a corda se acomodar entre elas.

O braço se mexe

Mudar de afinação muda a tensão total sobre o braço, e o braço responde curvando-se levemente. Na prática: afine duas vezes. Depois de colocar as seis cordas na nota nova, recomece pela sexta e você vai ver que nenhuma continua exatamente onde você deixou.

Termine sempre subindo

Igual à afinação normal: se passar da nota, afrouxe até abaixo dela e suba de novo, para que a corda fique com a mesma tensão dos dois lados do nut. Isso está explicado com mais detalhes em como afinar o violão.

Se você vai morar numa afinação, repense as cordas

Um tom abaixo, um jogo normal fica frouxo: a corda vibra mais aberta, trasteja e a nota sai do tom quando você aperta forte. Um calibre mais grosso resolve — ao custo de um ajuste no tensor se a mudança for grande. O contrário também vale: se você sobe a afinação de forma permanente, um calibre mais fino evita forçar o braço.

Um capotraste não é uma afinação alternativa: ele sobe todas as cordas por igual e mantém as relações entre elas. Serve para mudar de tonalidade sem mudar as posições; não serve para conseguir as cordas soltas de um DADGAD ou de um open G.